terça-feira, 29 de julho de 2014

Diferenças e semelhanças Livro x Série Orange is the new black


Já faz um tempinho que terminei de ler o livro Orange is the new black, que inspirou a série homônima exibida pelo Netflix, livro esse baseado na história real de Piper Kerman. Tive interesse de ler pela curiosidade de saber o que da série era real ou não, procurei em sites e blogs, e achei poucas curiosidades sobre, então não tive outra escolha a não ser comprar o livro. O problema é que fracassei na primeira tentativa porque o livro ainda não havia sido traduzido,o que aconteceu apenas em maio desse ano, ai procurei o bendito por aqui e acabei o encontrando no site das Casas Bahia (estranho né?) com um preço muito bom, e daí foi só alegria!

Bom, eu fiquei pensando e pensando como faria para falar do livro, das diferenças e semelhanças, e resolvi colocar as fotos e nomes dos personagens e falar sobre o que encontrei no livro, e também fazer algumas observações sobre a rotina da Piper real e tals. Sendo assim, se você não quer saber spoilers tanto do livro quanto da série, é bom parar por aqui, porque esse post vai estar cheeeeeio! Mas para quem assim como eu morria de curiosidade, já assistiu as temporadas e não tá afim de ler o livro, enjoy! 

Ao longo do livro personalidades e acontecimentos de mulheres diferentes foram encarnados em uma única personagem, como ela cita muita gente eu não vou ficar falando os nomes das mulheres do livro, até porque acho irrelevante, vou apenas colocar as fotos dos personagens e dizer o que remete a eles na obra.
Enfim, vamos lá:



O livro começa com um flashback, no qual Piper conta o episódio do aeroporto, em que ela está desesperada a espera da mala com o dinheiro de tráfico. Esse relato do livro é bem parecido com o que a gente vê na série, a mala realmente foi parar em outro lugar, ela teve que ficar naquela agonia até conseguir recuperá-la e tudo mais. Depois ela nos conta sobre seu relacionamento com Nora (na série Alex Vause, mas ambos nomes são fictícios), e ela detalha inúmera viagens que ambas fizeram juntas, viagens essa que sua parceira fazia a negócios relacionados ao trafico de drogas, Piper acompanhava tudo, conhecia o restante da quadrilha e inclusive buscava dinheiro no banco e tal, sendo assim ela não era tão inocente quanto vemos com a personagem. No livro, ela parece ser bem bobinha nessa fase da vida, como a Piper do Netflix, ela é bem iludida com sua parceira e deslumbrada com tudo, querendo conhecer o mundo, transgredir regras, e por ai vai. Então chega um momento que ela se cansa, larga da namorada e vai morar em outra cidade, e tem toda a história de conhecer Larry alguns anos depois, tanto ele quanto ela trabalhavam em uma emissora de televisão e tem uma história longuinha deles virando amigos e se apaixonando, não tem nada a ver com a história deles da série.

A parte em que Piper é notificada judicialmente, até o momento que ela vai para a cadeia e começa a conhecer tudo por lá é muito igual na série, Larry pede ela em casamento na praia, ele leva ela para a prisão onde eles ficam em uma espera interminável, ela pede para ele depositar o cheque pra lojinha e tudo mais. O trecho da vida da Piper real que a série não mostra, é que ela teve que esperar 6 anos por sua prisão, ela foi avisada que aconteceria, contratou advogado para o caso, tomou a decisão de se declarar culpada para não sofrer uma pena maior, mas teve que esperar por todo esse tempo porque o chefão do tráfico estava em outro país, e não podiam prender ela até que o levassem para os EUA e fizessem seu julgamento, então ela ficou todos esses anos sofrendo sem saber quando seria enjaulada, por fim não conseguiram levar o cara e ele acabou sendo absolvido, enquanto ela se ferrou!

Dentro da prisão, o que podemos identificar tanto no livro quanto na série foi: 
  • O cheque demorou cair na lojinha.
  • No princípio Piper dormia em um quarto onde havia a mulher com o respirador e outra com câncer de mama.
  • Para tomar banho ela precisava dos chinelos para não pegar micoses nos pés
  • Ela realmente foi designada para o setor de manutenção elétrica, onde teve que aprender o ofício lendo apostilas, e havia todo aquele sistema de contagem de instrumentos, e certa vez uma broca desapareceu, causando um alvoroço na prisão assim como aconteceu quando some a chave de fendas na série. Porém, acredito que ao escrever a série tenham juntado dois acontecimento para criarem o enredo do episódio, pois, em um outro momento, Piper é levada para fora da cadeia para fazer reparos, quando volta para dentro do presídio percebe que possuí uma chave de fendas a mais no bolso, e fica apavorada para se livrar dela sem que ninguém perceba.
  • As detentas tinham a sessão de cinema aos sábados e usavam aqueles rádinhos para ouvir assim como na série, a diferença é que elas conseguir ouvir estações de rádio com eles nos dias comuns, ela até reclama que no gueto (a parte das presidiárias negras), elas ficavam ouvindo músicas sem fone, igual o pessoal faz nos ônibus aqui do Brasil.
  • As mulheres faziam aquele esquema com a pilha para acender os cigarros.
  • Havia um grupo de meia idade responsável pela jardinagem.
  • Piper realmente teve que viajar para Chicago para depor, as cenas do avião mostram exatamente o relato do livro, homens cantando as detentas, os prisioneiros algemados sem saber para onde iam ao certo, e apesar de não estar mega apertada, ela vai ao banheiro e tem dificuldades para usá-lo.
O que é diferente no livro e na série relacionado a rotina na prisão:

  • Quando Piper foi presa, as detentas podiam fumar dentro do presídio, vendiam os cigarros na lojinha, mas durante o período que ficou por lá, as leis mudaram e proibiram o tabaco, daí as presidiárias começam a contrabandear das mais diversas formas para dentro da cadeia.
  • A pista de corrida nunca foi proibida, além disso havia uma academia disponível na prisão.
  • Piper diz que a biblioteca não era tão boa como a que vemos na série, ela recebia muitos livros de fora da prisão e até emprestava para suas amigas.
  • Os romances lésbicos eram muito discretos, ela relata que não via as mulheres se pegando, e que era proibido até abraçar uma a outra, se os guardas pegassem elas se encostando levavam bronca e até advertência. 
  • A personagem principal nunca foi para a solitária, também nunca se envolveu em brigas, apenas em pequenas discussões
  • Ela ama tanto o Larry que faz questões de enfatizar isso o livro todo, ela também não se envolveu com ninguém na cadeia, como acontece com sua ex na série.
  • A mãe de Piper não era chata, pelo contrário, sempre a visitava e estava de bom humor
  • A vó dela realmente adoeceu, ela pediu licença mas nunca obteve resposta, e sua avó morreu sem que ela pudesse se despedir, ela fica muito mal e se isola por conta disso.
  • Piper não estava abrindo uma empresa com sua amiga quando foi para a prisão
  • O livro fala muito sobre os microondas que haviam na prisão, e como as mulheres eram criativas em inventar comidas com alimentos contrabandeados da cozinha e coisas que vendiam na lojinha. 
  • As visitas na prisão não eram rápidas, duravam cerca de 8 horas.


Ao entrar na cadeia, Piper recebeu dicas de como se comportar na cadeia, e foi avisada que não deveria se envolver com as lésbicas, assim como Healy faz com ela na série. Além disso, o personagem também cria as reuniões de aconselhamento psicológico, como acontece na segunda temporada, a diferença é que ele obriga as mulheres a participarem.







A descrição da diretora do presídio é muito parecida com a personagem Figueroa da série, ela se vestia toda pomposa, fez um discurso besta de boas vindas, e aparentava ser envolvida com política.








Havia um encarregado na prisão que tinha um escritório cheio de plantas, as presas gostavam dele e possuía um bom relacionamento com a personagem que seria a Red.










Piper relata que não gostava de um dos policiais, a descrição de sua aparência é igualzinha a do personagem Mendez, que na tradução do livro ela chama de Ator Pornô Gay.










Nos primeiros relatos de Piper de suas colegas de prisão, ela fala sobre uma latina meio gordinha, baixinha e rabugenta que está gravida, porém não é de um policial, eu particularmente achei a descrição bem Daya. Em um outro momento do livro ela fala sobre outra presidiária que vivia falando baixo pelos cantos com um policial, que havia boato que ambos trocavam bilhetinhos amorosos, e isso acabou a levando para a solitária e depois para uma prisão mais rígida. O policial depois do acontecido pediu demissão.


Logo ao passar pelos portões do presídio, Piper é levada de Van por uma mulher toda maquiada, assim como a Morello da série, ela também explica algumas coisas da prisão e a entrega alguns itens, como pasta e escova de dentes.
Em outra parte do livro, há relato de uma outra detenta que só falava de casamento, e vivia recortando revistas de noiva.
Também havia um terceira detenta que sempre se gabava que iria sair da cadeia e se casar. 
Ou seja, Ela juntou a história de várias mulheres na personagem da Morello.



Quem cuidava da lavanderia era uma caipira chata, fanática religiosa que irritava muito a Piper, mas elas nunca chegaram a brigar. A diferença é que Pennsatucky da vida real (ambas tem o mesmo nome no livro e série) não tinha abortado, ela tinha um filho pequeno, que as vezes seu parceiro levava para vê-la, assim como vemos naquelas cenas com a mulher que trabalha na cozinha que vê seu bebê de vez em quando. Piper ficava condoída com essa cena, chegou até ajudá-la a escrever aquelas cartas de apelação para que a soltassem. 
Ah, e ela realmente tinha os dentes bem feios, ela ganhou dentes novos, mas não por causa da briga, foram os dentistas da prisão que deram um jeito.


No livro há uma Crazy Eyes, mas ela é bem diferente da Suzane, pois ela é bem centrada e séria. Ela começa a se aproximar de Piper, que a chama de Crazy Eyes porque ela a olhava muito fixamente para ela e com um olhar que a assustava um pouco. Ela chega a dizer para Piper que quer ter um relacionamento com ela, mas quando seu pedido é rejeitado não há complicações.
O episódio do xixi realmente aconteceu, mas não foi protagonizado por Crazy Eyes, e sim por outra presidiária e a prejudicada não foi a Piper.



Havia uma mulher que dava aulas de ioga na prisão, Piper admirava muito sua personalidade centrada. Mas a descrição da personagem era diferente da Yoga Jones, ela era grande, bonita e inteligente.




A Big Boo é pouco citada, mas também possuí o mesmo nome no livro, e a personagem da série é bem parecida, ambas são gordinhas e pegam bastante mulher.
Em uma fase da série Big Boo tem um labrador, Piper explica no livro que algumas detentas que tinham penas maiores trabalhavam como adestradores de labradores para cegos, por isso ficavam andando com eles para lá e para cá.



Na série, há um episódio que aborda uma feira do trabalho, onde as presidiárias ouvem palestras, e depois se vestem como se fossem para uma entrevista de emprego, então há um julgamento das roupas, lembram? Então, isso realmente aconteceu, e a descrição de uma das detentas que participou do concurso bate com a da personagem Taystee, que nesse episódio fica frustrada por não conseguir emprego por seu bom desempenho. Na história real não havia isso, ela apenas participavam do concurso e se divertiam, mas a escritora demonstra uma certa revolta por achar a feira sem nexo e de pouco aproveitamento para suas companheiras.
Nos relatos do livro, Piper fala sobre outra presidiária, a qual já tinha a mãe conhecida na cadeia por já ter passado por lá, depois de um tempo ela é solta, e através das cartas que ela enviava a prisão relata que não tinha onde ficar, sua família havia a recebido com hostilidade, ela dormia no chão da sala e se sentia mais segura e amanda na prisão. Piper chega a dizer que preferia que ela fosse presa novamente, como acontece com Taystee na série.




Acredito que Nicky tenha sido inspirada em uma colega de trabalho de Piper nos trabalhos de eletricista. Ela fala de uma viciada que se comportava como um pivete, tinha a boca suja, e sempre cantava Piper.








Durante a estadia de Piper na cadeia é um entra e sai danado de detentas, isso a gente não vê na série. E em uma dessas passagens entra uma transex, que pela descrição é bem Sophia, alta, negra, linda e diva. O problema é que ao contrário da série ela não conseguiu licença para tomar os hormônios, então sua voz é estranha, seu pelos são grossos, e ele não depila axilas e pernas além de ter um suor muito fedido. Mas mesmo assim, segundo a escritora ela era muito bonita.
A suposta Sophia estava só de passagem pela prisão, pois havia sido transferida e depois seria liberada, então ela não cuidava do salão como na série, quem fazia isso eram mulheres diversas que ajudavam suas amigas a se produzirem.



Miss Claudette sumiu da série do nada, mas enquanto esteve por lá seu personagem era muito parecido com os relatos da colega de cubículo de Piper. Ela esteve muitos anos presa, o motivo era um mistério para outras mulheres, nunca recevia visitas, era dominicana e séria, amiga da Red e saiu pouco tempo depois que a Piper entrou, suas características físicas também batiam com as do livro.





Nos primeiros episódios da série vemos Piper se ferrar porque critica a comida de Red sem saber que ela é a cozinheira. Na vida real Piper realmente comete esse erro, a diferença é que Red não a pune, apenas discute com ela no momento.
No livro a personagem é chamada de Pop, e ela é a mais fiel ao que vemos na série, tem o sotaque russo, fica presa por muitos anos, e está lá porque estava envolvida em uma máfia com seu marido.
Toda influência que Red tem na série, ela tinha na vida real mesmo, ela trabalhava na cozinha, conseguia contrabandear as coisas para agradar outras presidiárias e tudo mais.
O episódio em que ela apanha com os cadeados dentro da meia não aconteceram com ela, mas ela conta essa história a Piper, e diz que aconteceu na prisão de segurança máxima, que fica ao lado de onde elas estão.


A irmã e outra companheira de prisão, foram as únicas a terem seus nomes verdadeiros revelados no livro, isso porque elas deram permissão. Seu nome na vida real é Ardeth Platte, e tirando a parte que ela gosta de se aparecer, a personagem inspirada nela é bem parecida. Ambas são freiras ativistas que vão parar atrás das grades por conta disso. Há uma parte do livro que relata 3 detentas também ativistas que entram na prisão e se juntam a ela para protestar, assim como vimos nessa segunda temporada. Ela era bem influente, e sempre recebia cartas e visitas de ativistas do mundo todo.
Enfim, eu achei até uma fotinha da freira real com a da série:



O livro todo Piper faz questão de falar como ama Larry, e em nenhum momento ela fala sobre crises no relacionamento enquanto ela estava presa, ou coisa do tipo, só fala de quanto ele a apoiava.
Na série ele escreve um artigo falando sobre o relacionamento para o The New York Times, artigo esse que da uma super polêmica, Piper fica irritada e tals, mas na vida real ele realmente escreveu, a diferença é que foi um artigo fofinho, que falava de seu relacionamento. Quem quiser ler basta clicar aqui


Bom, desde que comecei a assistir a série fui pesquisar e fiquei sabendo que Piper não encontrou Vause (Nora no livro) quando entrou na prisão. E isso era realmente verdade, mas no decorrer de sua sentença ela teve sim que reencontrar sua ex e inclusive dividir a mesma cela com ela.
Tudo começou quando Piper teve que viajar para Chicago, para depor contra um novo integrante da quadrilha, acontece isso com ela no começo da segunda temporada. Depois que ela embarca de avião, deixam ela em uma cadeia que era tipo um lugar temporário onde os detentos esperavam o próximo avião para seu verdadeiro destino, quando Piper chega  nesse lugar vê Vause e sua irmã (ela também estava envolvida nisso, na série não mostra), mas Piper toma distancia e não entra em contato com elas. Depois de embarcar novamente, elas são obrigadas a sentarem lado a lado, e na prisão de Chicago são colocadas na mesma cela, então Piper não tem escolha, ela tem todo aquele ódio de sua ex, e aquela dúvida se foi ela mesmo que a mandou para a cadeia, e depois de se desentenderem acabam virando amigas, e em certos momentos até relembram o passado nostalgicamente, mas em nenhum momento elas tem recaída como na série, e Vause que já estava presa antes de Piper teve que ficar mais anos que ela enjaulada.
Laura Prepon não se encaixa na descrição física da ex de Piper, no livro ela é baixinha, com os cabelos loiros e enrolados e mais velha que a escritora, inclusive é relatado que ao se encontrarem na cadeia, "Nora" estava bem velha e acabada. Entretanto, sua personalidade achei bem parecida.

Enfim, acredito que a série vai tomar outros rumos e se desprender bem da Piper como já tem acontecido, porque os acontecimentos do livro já foram quase todos retratados, e a estadia da personagem foi bem curta atrás das grades, após Chicago ela já foi liberada, para sua infelicidade, porque ela queria voltar a Danbury para se despedir de suas amigas presidiárias, mas não aconteceu, e no livro ela diz lamentar até hoje, e tem esperança de qualquer dia trombar com a Pop no metrô, ela saiu na mesma época que Piper, elas não puderam ligar uma para a outra, porque durante dois anos após sair da cadeia, presas não podem manter contato.

Para finalizar, quero dizer que o livro tem uma grande crítica ao sistema prisional, que serve apenas para punir e não preparar as mulheres para uma nova vida quando saem da prisão. Por conta dessa experiência a escritora trabalha em ONGS para tentar ajudar ex presidiárias. Quem quiser saber um pouco mais sobre Piper Kerman ela tem o site PiperKerman.com e enquanto ela estava presa um amigo seu fez um blog para falar sobre como estava indo sua vida na prisão se quiser acessar bata clicar aqui

3 comentários:

  1. Cara comecei a assistir Orange a pouco tempo e viciei total! Não sabia que era baseada em uma história real, gostei muito do seu post, super bem detalhado, parabéns
    beijos
    Cult & Cute

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  2. Nossa ,adorei seu texto .mas eu torco para que a serie seja mt diferente do livro e a piper termine junto com a vause,que posso dizer......Vauseman 'e Vauseman.
    Ansiosa para que lancem a 4 temporada logo.

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Quem escreve


Karina, 29 anos, cambeense, historiadora e intérprete de LIBRAS, viciada em internet, redes sociais, séries e joguinhos, estou aprendendo a ser mulherzinha depois de anos sem autoestima e vaidade, e criei esse espaço para falar um pouco sobre todas essas Karinisses!

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